quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Ui! vEnTo VaTe‏


O vento fofoqueiro à meia noite sussurrou
Trazendo lembranças tuas
Cantou à minha varanda o vento cálido
Silvou suave e triste às frestas da janela
Uma serenata lúgubre chamava-me a sair
 
Repliquei: não és tempestade ou ventania
Mas, assolas o coração.
Porventura tens notícias dela?
A sibilante brisa fluía entre as ramagens
Ignorando a tristeza, assoprando a mensagem.
 
De longe venho, guiado pelo lume,
Dela não trago palavras
Apenas lembrança e o perfume.

Maggour Missabbib, 5773

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Eu e a imagem do ar

Na minha imaginação o vento transpassa meu corpo
Na realidade o meu corpo se dissolve com o ar
Na minha visão o mundo é feio e hostil
No mundo, o hostil e feio sou eu

No meu sonho posso tudo
No ato sou impotente  sempre a sonhar
No meu pensamento todos os caminhos me conduzem
Na caminhada me perco em delírios

Corpo e imaginação, dissolve-se o feio hostil
O sonho do impotente atualiza meu pensamento
Meu caminho de delírio conduz-me a vida!

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Ur Voice n Ur Smile

Numa diminuta cela, livres
Os seus olhos e seus lindos lábios,
Sua risada doce e macabra
Sua sedutora voz,
O falar como um canto

Percorrendo meu sentir
Ribeiro turbulento e emoção
Ilhou-me os desejos aflorados
Minha voz secou-se na rouquidão
Em meu pensar cativo e lânguido
Instou memórias do amanhã
Róseas faces num convite ao beijo
Ontem esquecido

E em meio a esta suave ilusão
Navegou-me o prazer
Certo de ir a lugar nenhum
Onde pudesse afagar a pétala
Nívea e perfumada
Tenra, tímida e túmida
Rompeu o estrondoso e sutil
Olá, como vai?

Malkah 5773



terça-feira, 6 de novembro de 2012

Palavrão e beijo e vinho

Quero um beijo de tua boca
Uma garrafa de vinho
E um palavrão.

E sentirei:
Do beijo lábios
Do vinho embriaguez
Do palavrão elogio.
 
E farei:
Da maledicência uma canção
Da borrachice um poema
Dos lábios a lascidão.

Do palavrão e do vinho uma orgia
Da botelha um adorno
Da boca um sussurro.

E provarei:
O buquê dos lábios teus
A verdade na botelha
O elogio da imprecação.

Da boca lasciva uma mordida
Da bebida um frasco de veneno
Da palavra uma carícia.

Eu sou deprecação e elogio,
Mentira sóbria e mordida,
E, ósculo envenenado.

Quero teus lábios veludosos
Quero botijas dos teus aromas
Quero a mor palavra que existe!

Dó(r)...

Maggour Missabbib

5772

 

 

 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

fragmento de ontogênese da coisa social

...desde os mais pessoais e íntimos aos de caráter mais coletivo. Em todo, caso vê-se diante de situação de escolha e deliberação. Em se tratando de foro íntimo articula com suas próprias convicções e, atua para fazer valer o seu escolha: essa é a perspectiva do atomismo político de Foucault. Tendo em conta que o indivíduo é parte inexorável do conjunto social histórico-geográfico onde está inserto, é plausível relativizar que a agregação dos históricos, conflitos e interesses individuais constituem conjunto sociocultural do estado nação. No agrupamento sociocultural historicamente constituído há efervescência pujança de atos políticos naturais que em conjunto constituem a polis ou comunidade civilizada praticando: política civil, que supera o interesse pessoal em busca do bem comum. Biologicamente o homem é um animal dotado de instinto de preservação, mas também dotado de intelecto. Quando se agrupa é para autopreservação, isso é de certo modo impulso, mas quando elabora estratégias de ordenação coletiva e define prioridades é ato intelectivo. Então, pode-se dizer que a política do ponto de vista natural é o ato de defesa dos interesses de maneira mais próxima do instintivo; outrossim, do ponto de vista cidadania, é mais racional. Concluímos, portanto, que entre a natureza política e o processo civilizatório do exercício da cidadania há um campo de combate. Por conseguinte, entendo que é na lide travada nesse ético que surge a política institucional, dando origem ao estado de direito personificado no Governo. Numa analogia filosófica, arrisco-me a dizer que o Governo é o corpo, a estrutura tangível, e o Estado é seu animus, a estrutura etérea, invisível e latente. Nesse sentido, o Estado figuraria a substância, o Governo a forma; portanto, são indissociáveis. Razão pela qual, muitas vezes, são confundidos, porque o Governo é que aparece personificando o Estado e atuando em seu nome. Entendo que é por impulso de volição da sociedade civil que nasce o Estado, este por sua vez, pelo ato primordial da política civil, se manifesta fisicamente como Governo, a quem é delegada a defesa dos interesses comuns. E, para consecução de suas prerrogativas é-lhe facultado o Poder, i.e., a potência total de agir, ou mesmo possibilidade de que o humano possa determinar comportamentos do homem. Enfim, o humano se agregou para autoproteção, pensou o Estado, e deste, conformou o Governo, outorgando-lhe o Poder. Tal potência, agindo em nome da sociedade civil, tem na sua ontogênese a incumbência de proteger o interesse comum, para tanto, detém a faculdade da Política Pública, cuja essência é o apaziguamento dos conflitos e a minoração das desigualdades. Contudo, o interesse prevalente, entorpece a criatura monstruosa, simulando naturalidade, pela metaforização da cidadania, subverte o bem comum, agindo como ladrão estacionário, dilapidando os bens civis até à medida de sua capacidade produtiva... E, o ciclo do status (re)constitui as contingências histórico-culturais, intensificando a luta pela sobrevivência. O pensamento humano evolui enquanto reverbera nesse ciclo do status. As contingências consubstanciam espaços culturais historicamente demarcados. É nesse lócus que germina a ideia educação. Não é oriunda de política pública, ao contrário; sua filogênese é o prazer gerado pela cidadania, como prática do exercício da plenitude do direito civil. Não se confunde, nem sequer na aparência, com a escolarização. Educo: é o verbo latino cuja essência é conduzir. Não se pode conduzi alguém pelo vazio, ou pelo nada. Educar pressupõe a ideia de uma cartografia, de um território, onde se passeia, ludicamente, vivenciando a natureza e inteligindo as coisas dela. Esse é o conceito original de educação. Infelizmente o entendimento contemporâneo é de que educação é dever do Estado. De fato, não o é! A escolarização talvez. Educar é privilégio exclusivo da sociedade civil, na sua célula mais primordial. É dever sacrossanto da família; porque nesse contexto é conduzir a vida, conforme John Dewey: a educação não é para a vida ela é a própria vida. É imperativo que cada sujeito social seja imbuído dessa tarefa. É uma questão de preservação da espécie. Primitivamente somos gregários, mas também almados racionais; nossos sentidos nos conduzem, pela percepção; a natureza nos dá exemplo de que somos capazes de aprender. Se o aprender é um potencia natural humana a educação é a potencia que atualiza a aprendizagem, i.e., ajuda-nos a passar da potencia ao ato; atualizar, no sentido aristotélico, passar da possibilidade à ação, que é o sinal mais elementar de vida. Se educar não é prerrogativa do Estado, qual é, pois, o seu papel? É, portanto, prover todos os meios, para que aqueles que têm potencialidade de ensinar como se conduzir pela vida, possam perpetrar o ato educacional; pela ludicidade, pela autenticidade, pela experienci(ação), pela reflexão e, sobretudo, pela utilidade. O homo economicus propugna a maximização da utilidade. Para tanto, o habitat físico da educação formal, a escola, não pode ter caráter punitivo, delimitador, mas libertário e amancipatório, onde o aprendiz seja causa, necessária e suficiente, do processo de desenvolvimento intelectual. Por conseguinte, o papel estatal é alocar recursos e fiscalizar sua aplicação, para consecução dos objetivos da instituição escola. Nesse âmbito a escola é autônoma, gerida pela comunidade educacional, com perspectiva de maximizar o desenvolvimento holístico do aprendiz...

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Encantação da valentia


Ando, anda! Cavaleiro sem cavalo
Trovador sem palavra
Mudo cantador,
Que a solidão comigo acompanhada
Numa jornada árida
Em plena luz
Quando a Dulce encantada
Na ilusão desfaz
Minha bravura
Receio o temor e a madrugada
A força da verdade
E sua gravura.
Na oceana areia destas plagas
O ermo é meu norte
Sigo sem prumo
Na corrida da peleja esbaforida
Transpiração e fumo;
A vista território deserdado
Quinhão da liberdade fugidia,
Cadeias de saudade
Lume vagante na obscuridade
Fragor, assobramento, encantação
À luz do dia...
Que termina de repente
Chilreando como serpente
E do veneno da manhã já aturdido
Cavalgo para a noite infinita
E fujo à liberdade à vadia
Que lume, nutre, finge
A valentia.
Quando sem armas, alma e alento,
Confundem-se corpo e  tristeza e pó in mundo.

Maggour Missabbib,

5748




quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Seiva da solidão


QUE FRONDOSA E FRIA  E SÓ
SE, UM VENTO SOPRAR A PAINEIRA,
AFASTANDO O ORVALHO DE TUA SEIVA
E A NÉVOA DA SOLIDÃO

ENCOBRIR A VELA DESTA NAU
DIGA À NOITE EM TOM SILENTE
QUE É HORA DE SORRI E ESQUECER
OUTRO AO LADO QUE VERDEJA, 
EU, NO CAMPO DESERTO, 
NENHUM, QUE SE ELEVA , LEVA CONSIGO
ALGUMA DAS VERDADES  AO INOCENTE
NÃO ME LEVES QUANDO MINHA HORA NÃO FOR

DEIXA À LUZ A FALSA ESPERANÇA
E CAIAM AO ABISMO A FANTASIA
SE O ORVALHO ASSOPRADO DO TEU LEITO
CAIR SOBRE A RELVA TRISTE DO ENTARDECER
VISLUMBRA COM OLHOS MAREJANTES
AS VAGAS DE SAUDADE DE PERDER
E O TROPÉU DA SANIDADE LEVARÁ

AO CIMO O BORDÃO  DO TEU VIVER
E DOS GRILHÕES DA TEMPESTADE  ASSOLADO
AO CÁRCERE DESPEGADO DE AMORES
EM LUTO TRANSBORDAR A LIBERDADE
E TU A ORVALHAR A SOLIDÃO.

Maggour Missabbib, 5772