ANTRUPOIETIS
terça-feira, 2 de junho de 2026
A Rapariga
É forte como árvore d’aroeira,
Marca de
sua presença à natureza.
Ela tem
pernas grossas
Cabelos
desgrenhados acaju,
Bunda
empinada, lábios carnudos,
Olhos
negros maquiados,
E dentes
brancos, faltando um.
Acosta-se
ao som da cachoeira
Seu
feminil ardor, do sol, beijada.
Macho
algum lhe é suficiente,
Nenhum
contém-lhe o fragor.
Ela de
doces olhos belicosos,
Tem a fervura
que gera, envolve e nutre.
Seus
espias embasbacam-se entre arbustos,
Enquanto a
diva afaga o corpo apetitoso,
Passeando
as delicadas mãos sobre o rosto,
E, de
quando em vez, a pube róscida, acarinha.
Entumece
o mundo macho, a vista bela,
Que
a serena imagem, à paisagem, acrescenta.
Seu
dulçor, suas fantasias se espalham
Sobre
a pradaria, descendo a ribeira;
O
calor da rapariga sobe os montes,
Seu
perfume inebriante singra os mares,
E
os mastros elevados, acaricia.
A
rapariga é seivosa e pulsante,
Deliram
marujos há muito errantes,
Que
não sabem dela, os desejos,
Nem
podem com seus casos dá-lhe alcance,
Até
que bela de seu leito se alevante,
Com
rubra tez, seios fartos e lábios grandes,
Sem
tino, nem destino, nem má-fama.
Ela,
displicentemente, arrelia
O
cobiçoso raparigo delirante
Que
sem ela nada pode,
Sente
muito,
E
menos fofa...
Maggour Missabbib, 5774
VIVER AVULSO
5773
quarta-feira, 18 de dezembro de 2024
Pornema
terça-feira, 20 de setembro de 2022
Voto sem Volta
Vote
No
medo, na escuridão
Vote
na inverdade,
Na
vaidade da negação,
Na
ira, na temeridade;
Na
mentira, contra a verdade
No mito da liberação.
Vote
No antivacinas,
Na
castração das meninas,
No
aborto das faveladas.
No
escuro do meio-dia,
pela
arma desalmada,
Vote
pela covardia,
Contra
a mulher e sua sorte,
Contra
a vida, pela morte,
Vote,
pois, nesse fracote!
Vote!
O
descrente,
Na
moral do indecente,
Embasada
no foder...
(broxa)
Vote!
Na
falsidade,
Inconsequente,
No
abuso do poder,
Na
traição,
No
ódio ardente.
Vote
Na
ânsia persecutória,
Na
negação da história,
No
retrocesso do saber.
Pois,
vote
Na mentira e no fracasso.
na
preguiça do indolente,
Na
crença do falso crente.
No
mito a fenecer...
Vote
No
palavrório vomitivo,
Vote
no inconsciente,
Eleja
o mal mais expressivo
Vote
armado, até os dentes!
Votem
Cegos
incoerentes,
Desprezem
todo o trabalho,
Votem
no rebotalho
Abracem
a corrupção,
Saiam
do caminho ao atalho
E,
afoguem-se na perdição!
Vote
E não volte
A
ver a luz da verdade
Viva
a vilania e a voracidade
Seja
infeliz na ingratidão!
Vote
Pelo
pavor subjugado,
de
monstro falso inventado,
Por
nefasto capetão,
Por
sua incredulidade,
Seu
voto amaldiçoado
Destrói,
hoje, a liberdade
Da
sua própria (i)nação.
Malkah,
5782
terça-feira, 24 de dezembro de 2019
Amoreiros
Não é perda nem dor
Não é falta ou distância.
Saberias, se andasses
E, das amoras, os doces beijos
Te recordassem, uma flor.
Sob o chuvisco,
Os mimos do amante,
As carícias do calor,
E o roxo das amoras
Nas pétalas daquela flor.
Assim...
De uma laranjeira áspera
Nasceu u'a pequena flor
E de seus lábios amoreiros,
Suaves, brotou o amor.
Porém, de uma tempestade,
Amoras caíram ao chão
E partiu coração.
Saudade, entendes agora,
Eu digo d'uma florzinha,
Que tão feliz, me deixou.
Depois:
Nem amoras, nem beijos, nem amor ...
Traços de mim
Te esqueceria.
Daria paz às tuas lembranças
E cercaria a distância entre nós.
Se pudesse com a alma
Deixar de te recordar,
E do teu esquecimento
Me lembrasse,
Que te perdes de pensar,
Sabendo que não sou,
Abrigaria com afago a saudade
E tu me entregarias reminiscencias
Somente, deste presente
Que te dou por tanto bem te querer.
Se tivesses de mim memórias ou traços
A imagem do teu sorrir
Me poderia amar.
Dar-te-ia à calma das minhas recordações
E estreitarias laços e nós.
Se tua alma quisesse
Guardar, minha lembrança
E de mim, o esquecimento esquecesse,
Abraçarias meu afeto como quem sonha
Eu, a ti seria reminiscência
De um futuro desprezado
Que me dás, por-tanto bem ...
Ainda amor.