domingo, 13 de novembro de 2016

Favônios

A lua amarela
Sobre o lago prateado
O amante amado
Na face rosada 
Da amada 
Tão bela.

Em noite tão clara
Sob céu pontilhado
A amante amada 
No semblante suave  
Do amante 
 tão belo.

Sob a luz de uma vela
E um lírio no 
Canto
O amado sussurra
Uma canção de amiga
A amante suspira
No prazer
Do instante.

E, o lume prateado 
Sobre plácidas águas
No balanço do encanto
Murmúrio da fonte
Os braços do amado
embalam
A amante.

Fluindo,
Dos lábios da noite,
Favônios do luar
despertam
Nos amantes
Desejos de amar...


Malkah,
1300


.


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

O véu da formosura


O turvo manto ao entardecer
Cai suave como orvalho. 
Sobre a verdura,
A saudade, o véu da noite, 
Cobre a face
Fulgurante da candura.

Fenece a luz,
Floresce desesperanças!
E, logo, a coberta sem brancura,
Com o doce lume do luar,
De pontilhados e de lembranças,
No firmamento, pele escura
Vêm, do poeta, a embalar,
A tristezura...

No efêmero e solitário,
Silêncio e canção sem agrura,
Vão-se dissipando temores,
Em lindos sonhos,
Todos prazeres, 
No coração
Da ternura,
No leito puro,
Outros amores,
Sob o véu
Da formosura...

Melk Vital,

5777

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

O tempo o jardineiro e a flor

A flor, o tempo e o jardineiro

A flor não ama o jardineiro
Mas, também, não ele, cultiva a flor.
A bela, que deve ser amada,
Cativa-o, e no seu tempo,  faz vicejar,
O olor que entre eles,
Em tempo os germina,
Causando a flor no jardineiro, o amor...

Não é a flor que fenece, que passa.
Não e o tempo que faz o amor se perder
É o momento do jardineiro que se finda,
Deixando a flor de cultivar, jardineiro
Parece o tempo, de seu perfumar esmaecer...
Floresce o tempo
O jardineiro desvanece
A flor se esquece de espargir o seu olor
Aparece a dor e o jardineiro que perece,
Deixando a flor, de cultivar
Fenece o amor...



Malkah, 1275 dias



segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Lacrimae

ÁGUAS DAS DORES

Se dos olhos
Lágrimas teimam
Em fluir,

E a alma seca
Quiser dessedentar-se

Não há esperança
Se a alegria
A fonte estanca

Crescendo a dor, a mágoa,
Embebe o ser,
Que desfalece

De amor...

Melk,

Março, 2003

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

HUMANITÓRIO

Tábula rasa 
Desde as profundezas
Sou...
Inscrevam-se em mim
As maledicências e os engodos
Nessas garatujas 
Transliterem as aflições de todos
Na rasura das falsas emoções
Gozem o prazer de desprezar-me!

Seja rasa a tábua
Ríspida e contorcida
De fibras embuchadas 
De nós..,

Tragam ainda seiva
De ignorância e desqualidade!
Sou como lençol
Ao vento, quarando.
Sou tábua de séquito,
Um sândalo podre no lago.

Dei a minha face
Nela inscreveram escárnios
Lamentações 
Prantos 
Risos
Falsidades...
Faceei um muro de lodo
E, ao lado profundo, nada
A tábua encurvada desta nau.

Maggour Missabbib, 5743

EUDAIMONÍA FELICTAS

SOCRATI et ZENONI

Felicidade é virtude, virtude não reside na fortuna externa, riqueza, honra, fama, ou coisas semelhantes. Porém, na autossuficiência, uma espécie de ordenação racional da intenção... 

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Do gostar em mim

Gosto de gostar
É um poema
Uma melodia
Um anverso...
E,
Gostar de ti
É uma chuva de verão
Como uma monção no deserto
Ou uma rocha suspensa no desfiladeiro...
De ti gostar
Os cedros florescem no outono
As torrentes refrescam as pradarias
Os pomares vicejam
As rosas desabrocham...
Gostar de ti gostar
É uma jornada à promissão
Um acerto sem alvo
Uma ideia lúdica e perigosa...
De te gostar em mim
É uma partida sem destino
Um retorno sem lugar
Uma decisão cabal...
Do gostar do gosto
Às margens do amanhã
Às vésperas das cataratas
No fim de tudo que sou
Gosto do gosto de ti em mim...


Melk Vital, 5776