Eu ía aí,
Tu, cá, vinhas,
nós enroscados
nas cordas do destino.
Tépido, o sol,
dado pela fresta,
que luzia nos olhos teus
secretos revelados.
Quando eu ainda vinha,
pelas gretas, os via,
pontilhados de rocio,
que dos seios fartos
fluia...
E, do alvorecer, o canto lírico
a embalar o teu cio,
para que manhã nenhuma,
despertasse, com tristeza,
a pétala rósea da natureza,
que, imaginando, suspirava,
enebriada de saudade
do vigor de minha nobreza.
Junto a soleira, de soslaio,
vislumbro a flor da pureza;
ferve o peito cheio d'alma,
ascende a lança do desejo
quando pulula no envoltório
a semente que cá viceja.
Na face nua das pudendas,
seus rubros lábios,
meu delírio, minha loucura.
Ante a fonte da doçura,
Eros desperta, rijo em ardor.
Tua flor lança beijinhos,
feito flechas do amor.
Quando eu ali ia,
ou quando cá vinhas tu,
nós do destino, cosidos,
sem tino, sempre, à matina,
saboreando, do paraíso,
os doces frutos proibidos
...
Cá, o mel é teu,
Aí, o céu meu...
Malkah, 5775