quarta-feira, 25 de maio de 2016

Bocadas de desejos

bocas que se devoram,
devoram lábios, línguas
deglutem salivas
comem prazeres
lambem outros lábios
sugam seios sinuosos
mordiscam mamilos maduros
bocas lívidas, vívidas, carnudas
profundas que versam segredos
de palavras desbocadas
de sorrisos e de beijos
bocas que buscam o prazer
bocas que se entregam
aos desjesos...

Malkah
5776

Lírio orvalhado


Lily couvert de roseé

L'enchantement du poète
Nature simple bénie
Son sourire clair de lune
Sur la mer du matin
D'argenture le front orné
Avant de l'aube ...

Son charmant visage
Comme la lune entre les nuages
Lys blanc couvert de rosée
Le baiser de la candeur
Et ses yeux que des lumières
Parmi les branches de saules
Tient le poète fou

Alb peau de sa nudité
Comme fruit angélique
Embrassé par la légère brise
pétales écarlates lascives
Du désir elle enviait,
Aurait-elle les cheveux aussi?

Cachant tous les délices
Qu’au poète rendent ivre
Ce que rougissent
Le velours virginale
Lèvres quels fleur rose
Chuchotement le mot amour
Au poète marginal ...

Melk Vital, 5776  

Lily couvert de roseé

Lily couvert de roseé

O encanto do poeta
A simples beata natura
Por seu sorriso como luar
Sobre o mar da madrugada
Prateando a fronte ornada
Antes do alvorecer...

Sua face encantadora
Como lua entre nuvens
Lírio branco orvalhado
Pelo beijo da candura
E seus olhos como luzeiros
Entre ramos de salgueiros
Leva o poeta à loucura

Alva pele nua dela
Como fruta angelical
Pela brisa suave beijada
Lascivas pétalas carmim
O desejo a inveja
Teria, ela, pelos assim?

Escondendo as delícias
Que ao vate embriagam
Fazendo enrubescer
O veludo virginal
De lábios qual rósea flor
Sussurrando o termo amor
Ao poeta marginal...

Melk Vital, 5776

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Desejo de vancê

Eu queria ao menos um beijo
Para amainar meu desejo;
Um afago caloroso,
Me fizesse sentir o gozo
E transladasse de mim
Essa saudade sem fim,
Desde a falta de vancê!

Um beijo não bastaria,
Mas outros chamegos trariam
Fogosa possibilidade
Que minorasse a saudade, 
Desta ausência de vancê.

Seria bom que me viesse 
E outros xodós pudesse
Me arrefescer a tensão,
Abrissem-me os seios fartos,
P'ra me livrar deste fardo
Da privação de vancê.

Se ora cadente de amor
É que não suporto, amor,
A presença de tua ausência,
Na carência de consciência, 
Que não anseia os beijos meus,
Quais só desejam ... vancê.

Melk Vital,
1138 dias


sexta-feira, 29 de abril de 2016

O Porto, O Sol do Poeta

Aqui estou onde o sol não brilha,
Não vibra, não entoa.
Não te vejo além d'aqui
E, longe sou...

Cá onde trazem todo o peso
De lembranças que sossobram e adormecem,
Não te vejo aquém d'ali
Pois, te busco sem sessar...

Toda carga despeja indesejada, 
Oprimindo o deque do meu pensamento,
E a ressaca destas vagas que sofregam
No canteiro co'a areia deste deserto,
Pois se velas trazem taciturnas  revelações
E se o tempo de partida já partiu
A quem ali direi a Deus que me feriu?

Se aquem não me vejo nesse porto
E tu longe do meu canto vais
E, se além d'aqui, me vês com olhos turvos
É que aquém d'ali amei-te tanto,
De ventos, velas, vozes de encanto
Por isso, amor amante,
Suprime o poeta, leva-o morto...

Malkah, 5776

Ressentidos versos teus

Fala comigo, porque tua voz
Como os ráios da matina,
Atravessa minha tristeza,
Como a luz, a escuridão do tênue alvorecer.

Lembra-te de mim, pois tua lembraça
Constroi-me a aparência, que agrada
E parece mostrar-te tudo, toda, em mim.

Pensa em mim como penso,
Pois tua memória de mim 
Apaga os rastros da solidão,
Desenha-me no ar a minha imagem de ti

Creia na minha esperança
Que aguarda vigilante o momento,
Que espera não passar a hora,
Que deseja ser real o teu querer.

Canta pra mim e não chores,
Porque a alegria da tua canção me faz chorar
De prazer e de ternura, lavando o zelo ardente,
E encobre o triste o solitário...

Sorria que a formosura de teus lábios
Desvela a candura dos teus beijos mordiscados,
E quando a madorna já não faz sentido,
Dá sentido a estes versos (re)ssentidos
Que são teus. 

Malkah, 5776

quinta-feira, 24 de março de 2016

Libertas Libertatis

Um dia, eu pensei que poderia ser livre. Eu estava muito enganado, uma vez que a liberdade não é liberdade, na verdade, não estava errado por pensar que eu poderia, mas porque não sabia o que, de fato, significava liberdade. Então, percebi que não sou meu como possuir uma perfeita consciência de mim mesmo, assim que aqueles passos que eu caminhava me trouxeram a este momento presente de falsa luz, no entanto, estou aqui como um prisioneiro de minha própria liberdade ... quer dizer, da minha falsa consciência de mim.

Un día, pensé que podía ser libre. Yo estaba muy equivocado puesto que la libertad no es libertad, de hecho, no estaba errado por pensar que podía sino porque no sabía lo que significa efectivamente la libertad. Entonces, me di cuenta de que no soy mío como poseer una conciencia perfecta de mí mismo, por lo que los pasos que estaba caminando me trajo a este momento presente de luz falsa, sin embargo, estoy aquí como un prisionero de mi propia libertad ... es decir, de mi falsa conciencia de mí.

Un giorno, ho pensato che avrei potuto essere libero. Ero piuttosto sbagliato, dal momento che la libertà non è la libertà, in realtà, non ho sbagliato a pensare che avrei potuto, ma perché non sapevo cosa significasse davvero la libertà. Poi, mi sono reso conto che io non sono il mio come possedere una perfetta coscienza di me stesso, in modo da quei passi stavo camminando mi hanno portato a questo momento presente di luce falso, tuttavia io sono qui come prigioniero della mia libertà ... è quello di dire, della mia falsa coscienziosità.

Un jour, je pensais que je pouvais être libre. J'étais assez tort, puisque la liberté n'est pas la liberté, en fait, je ne me trompais pas de penser que je pouvais, mais parce que je ne savais pas ce que la liberté signifiait en effet. Puis, je me suis aperçu que je ne suis pas le mien comme posséder une conscience parfaite de moi-même, de sorte que ces démarches que je marchais m'ont conduit à ce moment présent de fausse lumière, pourtant je suis ici en tant que prisonnier de ma propre liberté ... c'est-à-dire, de ma fausse conscience de moi.


One day, I thought that I could be free. I was pretty wrong, since freedom is not liberty, in fact, I was not wrong for thinking that I could but because I did not know what freedom means indeed. Then, I realized that I am not mine as own a perfect conscience of myself, so those steps I was walking have taken me to this present moment of fake light, nevertheless I am here as a prisoner of my own liberty... is to say, of my fake conscientiousness.

Eines Tages, ich dachte, dass ich frei sein könnte. Ich irrte ziemlich unrecht, da die Freiheit nicht die Freiheit, in der Tat. Ich war nicht falsch zu denken, dass ich konnte, aber weil ich nicht wusste, was Freiheit bedeutete eigentlich. Dann erkannte ich, dass ich bin mir nicht so besitzen ein perfektes Gewissen von mir selbst, so dass diese Schritte, die ich ging spazieren, mich zu diesem Augenblick von gefälschten Licht genommen haben, nichtsdestotrotz bin ich hier als Gefangener meiner eigenen Freiheit... ist zu sagen, meiner gefälschten Gewissenhaftigkeit.